Necessidade de Validação: Porque Procuramos a Aprovação dos Outros

7–10 minutes

A necessidade de validação afeta silenciosamente milhares de pessoas. Está presente nos relacionamentos, no trabalho, nas amizades e até na forma como reagimos às críticas, rejeições e conflitos.

“Se a opinião daquela pessoa não tivesse qualquer impacto na forma como te vês, continuarias a precisar de responder?”

A ilusão de poder e a necessidade de validação:

Muitas pessoas acreditam que estão a recuperar poder quando:

  • respondem à mensagem,
  • explicam-se pela décima vez,
  • confrontam alguém,
  • tentam provar que estão certas,
  • mostram que também conseguem magoar.

Mas na realidade estão apenas a revelar onde ainda entregam o seu poder. Porque muitas vezes o conflito não nasce do que foi dito. Nasce da parte de nós que acredita:

  • “se eu não responder, parece que ele ganhou”;
  • “se eu não me defender, parece que sou fraca”;
  • “se eu não explicar, vão pensar mal de mim”;
  • “se eu não o fizer sentir o que me fez sentir, não haverá justiça.”

Mas existe algo curioso que poucas pessoas observam. Quando alguém nos magoa, humilha, rejeita ou fala mal de nós, raramente é o acontecimento em si que nos prende durante dias, semanas ou até anos.

O que nos prende é a necessidade de resolver aquilo dentro de nós. De repente começamos a imaginar conversas que nunca aconteceram, pensamos nas respostas perfeitas que deveríamos ter dado, recriamos discussões na nossa cabeça, procuramos formas de explicar melhor, de nos defender melhor, de fazer o outro perceber aquilo que sentimos e dizemos a nós próprios que estamos apenas a tentar esclarecer a situação, colocar limites ou fazer justiça.

Mas muitas vezes existe algo mais profundo a acontecer. Uma parte de nós está apenas a tentar aliviar a dor de não se sentir vista, escolhida, respeitada e/ou compreendida. Porque enquanto acreditarmos que a nossa paz depende do outro perceber, admitir, reconhecer ou mudar, continuamos presos à mesma dinâmica.

E é aqui que surge uma das maiores ilusões de poder.

Acreditamos que recuperamos poder quando respondemos, confrontamos, explicamos ou mostramos ao outro que também somos capazes de magoar. Mas repara numa coisa interessante:

Quando alguém consegue ocupar os teus pensamentos durante dias, alterar o teu estado emocional, roubar a tua energia e desviar a tua atenção da vida que estavas a construir, quem é que está verdadeiramente no controlo da situação?

Muitas vezes aquilo que chamamos de força não passa de uma tentativa desesperada de recuperar uma paz que entregamos no momento em que fizemos daquela pessoa o centro da nossa atenção.
Porque a verdadeira liberdade não surge quando ganhas a discussão. Surge quando deixas de precisar de a ganhar.

O preço invisível da necessidade de validação:

Enquanto tentas:

  • ensinar uma lição;
  • provar que tens razão;
  • mudar a opinião do outro;

Estás a perder:

  • paz mental;
  • energia vital;
  • tempo;
  • foco;
  • oportunidades;
  • presença;
  • relacionamentos saudáveis.
  • Porque preciso tanto da aprovação dos outros?

Enquanto estás ocupada(o) a tentar ensinar uma lição a alguém, deixas de construir a tua própria vida.

Muitas pessoas passam anos a tentar ser compreendidas por quem nunca teve intenção de as compreender, enquanto adiam a construção da vida que realmente desejam.

O objetivo não é aprender a ignorar os outros. O objetivo é compreender porque é que uma parte tua continua a precisar da aprovação, do reconhecimento ou da validação deles para se sentir segura. Porque enquanto a tua identidade depender da forma como os outros te veem, estarás sempre a negociar o teu poder. A liberdade começa no momento em que deixas de precisar que o outro mude para poderes seguir em frente.

FAQ

Como tenho vindo a escrever, a necessidade de aprovação está frequentemente associada a padrões emocionais antigos relacionados com rejeição, abandono, humilhação ou necessidade de pertença.

Como deixar de procurar validação externa?

O primeiro passo é compreender quais as feridas emocionais e padrões inconscientes que continuam a associar o teu valor à opinião dos outros.

A necessidade de validação pode afetar os relacionamentos?

Sim. Muitas discussões, conflitos e dificuldades relacionais surgem quando procuramos constantemente reconhecimento, aprovação ou confirmação externa.

Não tens um problema de conflito
Tens um padrão identitário que continua a associar valor, segurança e pertencimento à opinião dos outros. 

O verdadeiro motivo do confronto emocional:

A impulsividade para confrontar raramente é sobre o acontecimento atual, na maioria das vezes é uma tentativa inconsciente de regular algo muito mais antigo: a rejeição que sentimos, a humilhação que não conseguimos processar, o abandono que continua vivo dentro de nós, a impotência de não conseguirmos controlar o resultado, a injustiça de não sermos vistos, escolhidos ou compreendidos da forma que desejávamos.
É por isso que duas pessoas podem viver exatamente a mesma situação e reagir de formas completamente diferentes. Porque não estamos apenas a responder ao presente. Estamos também a responder a tudo aquilo que o presente despertou dentro de nós.

Se este tema te desperta curiosidade, recomendo a leitura do livro As Cinco Feridas de Lise Bourbeau.
Apesar de não concordar com todos os conceitos apresentados, é uma excelente introdução para compreender como feridas como a rejeição, o abandono, a humilhação, a injustiça e a traição continuam a influenciar os nossos comportamentos, relacionamentos e reações muitos anos depois de acreditarmos que já as ultrapassámos.
Porque não estamos a discutir com a pessoa que está à nossa frente, estamos a discutir com uma dor muito mais antiga que ela acabou de tocar.

O confronto como droga emocional

Existe uma razão pela qual tantas pessoas regressam aos mesmos confrontos, às mesmas discussões e aos mesmos ciclos durante anos.

Porque, para sermos honestos, durante alguns minutos funciona. Quando respondemos à mensagem. Quando dizemos aquilo que ficou atravessado na garganta. Quando colocamos alguém no lugar. Quando mostramos que também somos capazes de magoar.
Há um alívio. Uma sensação de que recuperámos alguma coisa que nos foi retirada. Durante alguns instantes deixamos de nos sentir pequenos, rejeitados, impotentes ou ignorados. Sentimo-nos fortes. Sentimo-nos no controlo. Sentimos que, finalmente, fizemos justiça àquilo que sentimos.

justice statue on urban building facade
Justiça emocional

A necessidade de validação foi suprida.

Mas se observares com atenção, esse alívio raramente dura muito tempo. Horas depois, dias depois ou até semanas depois, a mente continua lá. Continua a recriar a conversa, a imaginar respostas melhores, a pensar no que devia ter sido dito, continua à espera que o outro compreenda e é aí que percebemos algo importante: o confronto não resolveu a dor. Apenas a silenciou por alguns momentos.

É quase como uma descarga emocional. Libertamos pressão, sentimo-nos mais leves durante algum tempo, mas acabamos por regressar exatamente ao mesmo lugar.

À mesma necessidade de sermos compreendidos.
À mesma necessidade de sermos reconhecidos.
À mesma necessidade de provar o nosso valor.

Por isso existam pessoas que passam uma vida inteira a ter a mesma discussão com pessoas diferentes: mudam os relacionamentos, mudam os nomes, mudam as circunstâncias. Mas nao se mudam a elas mesmas logo a emocão continua a ser a mesma. Se queres descobrir os teus padrões marca uma sessao aqui.

No fundo, não estamos a lutar contra a pessoa que está à nossa frente. Estamos a lutar contra aquilo que sentimos quando estamos perante ela e enquanto confundirmos essa descarga emocional com poder, continuaremos a regressar ao mesmo ciclo.

Porque reagir pode fazer-nos sentir fortes durante alguns minutos mas a verdadeira força é outra coisa. É conseguir permanecer em paz mesmo quando uma parte de nós quer desesperadamente entrar em guerra.

O verdadeiro sinal de maturidade emocional:

Muitas pessoas pensam que a crescer é deixar de encontrar pessoas tóxicas. Mas não é. O verdadeiro sinal de maturidade é encontrares a mesma situação e já não sentires necessidade de jogar o jogo. Depois desenvolves:

Porque os jogos são sempre os mesmos:

  • justificar;
  • convencer;
  • perseguir;
  • corrigir;
  • punir;
  • provar.

A maturidade surge quando percebes que nem toda a perceção errada precisa de ser corrigida. Nem toda a injustiça precisa de uma batalha e nem toda a crítica merece uma resposta.

Muitas pessoas passam anos a tentar ser compreendidas por quem nunca teve intenção de as compreender, enquanto adiam a construção da vida que realmente desejam.

O objetivo não é aprender a ignorar os outros, é compreender porque é que uma parte tua continua a precisar da aprovação, do reconhecimento ou da validação deles para se sentir segura. Porque enquanto a tua identidade depender da forma como os outros te veem, estarás sempre a negociar o teu poder.

A liberdade começa no momento em que deixas de precisar que o outro mude para poderes seguir em frente.

A maioria das pessoas acredita que o problema está no conflito. Eu raramente vejo o conflito como desafio. O que observo são padrões.

Padrões que se repetem nos relacionamentos, na família, no trabalho e até na forma como nos vemos a nós próprios. Porque quando uma situação nos afeta repetidamente, normalmente não estamos apenas a reagir ao presente. Estamos a reencontrar uma parte da nossa história que continua por integrar.

É precisamente esse o foco do meu trabalho.

Guiar pessoas a identificar os padrões invisíveis que continuam a governar a sua vida, para que possam finalmente recuperar a liberdade de escolher quem querem ser independentemente daquilo que os outros fazem, pensam ou decidem.

Se sentes que continuas preso aos mesmos padrões emocionais, conflitos repetitivos ou necessidade constante de validação, talvez não te falte força. Talvez te falte compreender aquilo que o padrão ainda está a tentar mostrar-te.

Nas minhas sessões trabalho precisamente a identificação destes padrões invisíveis para que possas recuperar a tua autonomia emocional, fortalecer a tua identidade e deixar de depender da aprovação dos outros para te sentires seguro.

Podes saber mais sobre o meu trabalho ou agendar uma sessão aqui.

One response to “Necessidade de Validação: Porque Procuramos a Aprovação dos Outros”

  1. […] artigo anterior falei sobre a necessidade de validação. Sobre a forma como muitas pessoas passam anos a tentar ser compreendidas, reconhecidas, escolhidas […]

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