Porque repetimos padrões? 3 perguntas para mudar

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6–9 minutes
Porque repetimos os mesmos padrões?

A mudança de cenário não transforma, por si só, um padrão. A transformação começa quando conseguimos responder de outra forma.

Porque repetimos os mesmos padrões?
Porque repetimos os mesmos padrões?

Perceber porque repetimos padrões exige olhar para as respostas que levamos connosco, mesmo quando mudam o trabalho, os lugares ou as relações.

Nos últimos quase dois meses, a minha vida mudou de cenário várias vezes. Passei a trabalhar a bordo da Viking, entre a Áustria e a Alemanha. Conheci cidades e paisagens novas, adaptei-me a horários diferentes e a dias que nem sempre correram como eu tinha imaginado. Continuei a acompanhar clientes, a escrever o meu livro e, no meio de tudo isto, vivi também mudanças importantes na minha vida afetiva.

À primeira vista, parecem capítulos sem ligação. O trabalho, as viagens, as consultas, o livro, as relações. Mas, enquanto escrevo sobre repetição humana, dou por mim a fazer uma pergunta: o que é que se repete quando tudo à nossa volta muda?

Porque repetimos os mesmos padrões em cenários diferentes?

Talvez não seja sempre a pessoa, o lugar ou a situação. Às vezes, é a pergunta que levamos connosco. A forma como procuramos segurança. O que fazemos quando sentimos intensidade. A maneira como reagimos à incerteza, ao cansaço, à possibilidade de sermos vistas ou de escolhermos algo novo.

Uma paisagem diferente não muda automaticamente a nossa forma de estar nela. Podemos atravessar países e continuar a levar connosco as mesmas respostas. Podemos mudar de trabalho, começar uma relação ou iniciar um projeto e, ainda assim, agir a partir de uma velha necessidade de provar, controlar, agradar ou fugir.

Mas o contrário também acontece: uma experiência familiar pode encontrar-nos num lugar interior diferente.

Estes meses não me deram uma resposta única. Deram-me situações concretas onde me pude observar. No trabalho, tive de aprender uma nova função e estar presente para pessoas que estavam também a viver a sua própria experiência de viagem. Nas consultas, continuei a acompanhar processos humanos enquanto reconhecia que também eu estou dentro da vida que estudo. E, ao escrever, percebi que não quero falar da repetição como quem a observa à distância. Quero escrever a partir do lugar onde a teoria encontra a escolha real.
Na vida afetiva, também fui confrontada com essa diferença: sentir uma ligação intensa não é o mesmo que encontrar disponibilidade; desejar alguém não obriga a perseguir essa pessoa e assumir uma relação não significa ter todas as garantias sobre o futuro. Significa escolher estar presente no que existe, com consciência e responsabilidade.

Não preciso de transformar as pessoas da minha vida em personagens para partilhar o que aprendi. O que me pertence contar é a mudança na forma como participo: consigo olhar para a intensidade sem a tomar automaticamente como prova, consigo reconhecer o desejo sem me abandonar nele e consigo escolher sem fingir que a incerteza desapareceu. Talvez seja aqui que a repetição começa a perder força. Não quando conseguimos prever tudo, nem quando deixamos de sentir medo ou desejo, mas quando já não entregamos a cada emoção o poder de decidir por nós.

Este é um axioma que começa a ganhar forma no meu livro:

A mudança de cenário não transforma, por si só, um padrão. A transformação começa quando conseguimos responder de outra forma.

Não escrevo isto como alguém que já chegou a um lugar definitivo. Escrevo como alguém que está a observar o próprio percurso enquanto o vive. Há dias em que a nova resposta é clara e em outros, ainda estou a aprender a reconhecê-la. E talvez a autenticidade também esteja aqui: não em apresentar uma versão acabada de nós, mas em sermos honestas sobre o processo, sem romantizar cada acontecimento nem fingir que já compreendemos tudo.

Para compreender porque repetimos padrões, vale a pena observar as respostas que surgem nas situações concretas da nossa vida. Se estás a atravessar uma fase de mudança, estas perguntas podem ajudar:

  • O que mudou no cenário da minha vida e o que continua a repetir-se dentro de mim?
  • Perante esta situação, estou a responder por escolha ou por familiaridade?
  • Qual seria uma resposta nova, mesmo que pequena, que respeitasse melhor aquilo que hoje sei sobre mim?

Não é preciso encontrar uma grande conclusão em cada experiência. Às vezes, basta reparar no instante em que estamos prestes a repetir a resposta antiga e descobrir que, desta vez, existe outra possibilidade.

Três rios, três versões de mim

Em Passau, há um lugar onde se encontram três rios: o Danúbio, o Inn e o Ilz. Vêm de percursos diferentes e, mesmo depois de se juntarem, as suas águas ainda podem distinguir-se durante algum tempo. A confluência acontece antes de as diferenças deixarem de ser visíveis. Talvez tenha sido isso que me fez pensar nas três versões de mim que se têm encontrado nesta experiência.

Há a aprendiz, que entrou numa função nova, recebe orientações, faz perguntas e descobre como fazer coisas que ainda não sabe. Há a coach e a mulher que escreve, que continua a acompanhar pessoas e a procurar compreender o que sustenta os nossos padrões. E há a mulher que sente, deseja e se permite construir uma relação, mesmo sabendo que nenhuma escolha vem com garantias sobre o futuro.

Cada uma traz uma história e pede-me alguma coisa diferente. A aprendiz pede-me disponibilidade para não saber. A coach e a escritora pedem-me atenção e responsabilidade na forma como interpreto aquilo que observo. A mulher que ama pede-me presença: conseguir viver um encontro sem estar sempre a tentar antecipar o seu desfecho. E tenho percebido que nem sempre preciso de levar a mesma resposta para estes três lugares.

Posso ter experiência a acompanhar os outros e precisar de orientação numa função nova. Posso compreender um padrão e sentir-me tocada por ele. Posso estar segura de quem sou e, ainda assim, sentir vulnerabilidade quando alguém se aproxima. Reconhecer isto tem-me dado mais espaço para aprender e, curiosamente, também para ficar mais leve, mais terna e mais bem-disposta. Voltar a ser aprendiz tem sido refrescante.

Talvez a integração tenha muito que ver com esta capacidade de reconhecer o que cada momento nos pede. A firmeza continua disponível, mas já não precisa de responder por tudo. A análise continua a ser útil, mas também posso escutar antes de concluir. E o desejo pode existir sem que eu tenha de lhe entregar todas as decisões. É nestas pequenas diferenças que consigo observar uma mudança real na minha forma de participar.

3 rivers

A imagem dos três rios deixa-me, por isso, uma pergunta que também te quero deixar: que partes de ti estão a tentar encontrar uma forma de seguir juntas? Talvez estejas a começar algo e a exigir de ti a segurança de quem já tem anos de experiência. Talvez saibas cuidar de todos e estejas a aprender a receber cuidado. Ou talvez estejas a descobrir que podes mudar de papel sem perder o que é essencial em ti. É aí que um cenário novo pode abrir espaço para uma resposta nova, quando conseguimos reconhecer quem somos, o que trazemos e o que ainda estamos disponíveis para aprender.

Se te reconheceste nestas palavras, pára um instante numa pergunta: o que continua este padrão a fazer por ti, mesmo quando te custa tanto?

Talvez te ajude a evitar um conflito, a manter uma ligação ou a preservar uma sensação de segurança. Perceber essa função pode abrir espaço para uma escolha que até agora parecia impossível. É precisamente este o trabalho que faço com quem chega às minhas sessões: olhar para o que se repete, compreender o que sustenta essa resposta e encontrar formas concretas de agir com mais consciência e coerência.

Essa mudança pode aparecer num limite que finalmente consegues expressar, numa conversa que deixas de adiar ou na capacidade de viver uma relação sem te afastares de ti.

Se a tua vida mudou, mas continuas a reconhecer as mesmas dificuldades, podemos olhar para isso em conjunto. Numa Sessão de Clareza, vamos explorar o que se repete, o que sustenta essas respostas e que escolhas podem fazer sentido para ti agora.

Marca a tua Sessão de Clareza e vamos começar pelo padrão que mais está a pesar na tua vida.

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